
De Como Nasceu a Memória do Bosque, de Rocio Martinez, é um livro bem interessante.
A narrativa fala sobre um homem que veio de uma família de lenhadores e de sua relação com uma mesa, fruto de uma árvore plantada por ele e depois, também derrubada por ele.
Uma simples mesa redonda, que vai fazer parte do dia a dia deste lenhador até sua morte.
E após esse ocorrido, ela vai rodar a história passando de mãos em mãos.
A pobre mesa será queimada, pintada, reformulada, deixando a história bastante instigante, até nos levar a um final inesperado.
As ilustrações são lindas, vibrantes e cheias de detalhes.
Realmente muito bonito.

O Acendedor de Sonhos, de Dorothée Piatek e Gwendal Blondelle, editado pela Companhia das Letrinhas, é mais um daqueles livros que tratam das questões do nosso planeta de uma maneira bastante delicada.
A ilustração dá esse tom singelo ao texto que nos traz uma história comovente, de um tempo onde a noite era eterna, onde o sol não aparecia mais, plantas não existiam e água era uma raridade.
O que existia na realidade, era um acendedor de sonhos que tinha a tarefa de trazer um pouco de luz àquela escuridão toda.
Um dia, este homem enorme que precisava se curvar para não encostar no céu, se depara com uma criança que pede a sua ajuda para encontrar água. Esta seria usada para regar a única plantinha que na terra existia: uma flor feita de sol.
Daí o caminho dos dois se cruzam numa busca pela vida, mostrando aos pequenos que a Terra em que vivemos é um bem precioso que precisa ser cuidado.

O Reizinho e o Dragão, de Peter Bently e Helen Oxembury, toca num assunto do qual eu gosto muito.
O livro, de um jeito bem simples, mostra como a imaginação da criança, mesmo com poucos elementos, pode transporta-la em segundos para um universo onde existem reis, castelos, cavaleiros armados, dragões e outros monstros que se tornam tão reais naquele momento, quanto os amigos de carne e osso que ali estão.
Hoje, num mundo tecnológico, cheio de ipads, video games e celulares mirabolantes ( não sou contra nada disso), é bacana também resgatarmos esse tipo de história.
Escrevi faz 4 anos uma história, que hoje está no meu site O Pequeno Leitor, onde o personagem é um garotinho que também “recicla” suas brincadeiras através de uma simples caixa, ou na continuação desta, um plástico bolha, criando com um único elemento, um mundo com diversas possibilidades, onde a brincadeira não tem fim, ela se transforma o tempo todo e tudo vira tudo.
http://www.opequenoleitor.com/historias/dudu-e-a-caixa
E essas histórias foram escritas a partir da experiência vivida na prática, aqui na minha casa, com meu filho quando ele tinha 4/5 anos e pegou uma caixa enorme para brincar …
Faz pouco tempo ele me disse assim: ” Mamãe, sabia que você pode ir pra onde você quiser, mesmo pro passado? Pra isso basta uma simples almofada. Aí é só você deitar, fechar os olhos e imaginar tudo o que você quiser. Você tanto pode ir pro período jurássico, como pro espaço. Só depende da sua imaginação e pronto, é bem simples”.
É isso!

Super interessante a idéia do livro A Grande Fábrica de Palavras, de Agnès de Lestrade e Valeria Docampo.
Imagine um país onde as pessoas quase não falam, porque para darem voz a seus pensamentos, elas precisam comprar palavras. E para que estas sejam ditas, precisam ser engolidas primeiro.
Como era de se esperar claro, determinadas palavras custam uma fortuna e outras mais esquisitas, custam bem menos.
Sabe o que tem que fazer aqueles que não tem dinheiro? São obrigados a irem a cata de palavras perdidas por aí.
Esta é a dificuldade do pequeno Philéas, que precisa de palavras para expressar seus sentimentos a doce Cybelle. Só que tem um triste detalhe, Philéas é pobre e palavras como “Eu te amo” custam muito, mas muito caro mesmo.
O que será que o garotinho vai fazer para abrir seu coração a amada?
Essa é a beleza do livro. Questão tratada com muita poesia e beleza pela autora e ilustradora.
Achei muito bacana a premissa da história.
![3261654[1]](http://blog.opequenoleitor.com.br/wp-content/uploads/2012/03/32616541.jpg)
Para que Serve um Livro?A resposta que Chloé Legeay, dá a essa pergunta, é um convite a imaginação dos pequenos leitores, mostrando até onde um livro pode nos levar.
Ele nos faz viajar para lugares incríveis, nos serve de companhia, nos deixa mais sabidos, nos faz crescer, enfim, uma variedade de respostas e situações divertidas , tornando a leitura um prazer, como ela deve
ser. Se assim os pequeninos enxergarem, com certeza se tornarão pequenos grandes leitores.

Muito feliz a idéia do livro Felizes Quase Sempre, de Antônio Prata e ilustrado por Laerte.
É divertido ver como príncepe e princesa começam a história muito contente com o destino do felizes para sempre. E continuamente eles seguem sendo felizes para sempre, até que o inevitável acontece. Eles se sentem entediados com tanta felicidade, e o que é pior: para sempre. Para sempre o mesmo dia lindo, o mesmo céu azul, a mesma nuvenzinha, o mesmo jardim , as mesmas brincadeiras e nem um tiquinho se quer de infelicidade pra variar.
No milionésimo trigésimo quarto dia sendo felizes para sempre, resolveram dar um basta. Queria poder ao menos ser um pouquinho infeliz e com isso, resolveram reunir todos os personagens que foram felizes para sempre nas histórias, para dar um fim nisso. Afinal, uma infelicidadezinha não faz mal a ninguém, né? Até porque, ela também não vai durar para sempre. A possibilidade de poderem ser felizes quase sempre e não para sempre, deixa eufóricos todos os personagens.
Muito divertido e gostoso de ver o que aconteceu com todos. Claro, não vou contar aqui para não perder a graça.
No post anterior, por coincidência, falei do livro do Ilan Brenman que também faz uma brincadeira com o final das histórias dos contos clássicos. A idéia de ambos é boa e vale a pena ler os dois.

Achei a idéia do Ilan Brenman muito boa. Nunca parei pra fazer um exercício de imaginação e pensar como exatamente seria o depois do “viveram felizes para sempre” nas histórias clássicas.
Depois de casados, tiveram filhos? Os porquinhos abriram uma cosntrutora? A Chapeuzinho passou a usar só roupas camufladas pra não se diferenciar na floresta?
Bom, Depois do Foram Felizes Para Sempre, Ilan fez um apanhado divertido com várias suposições de pós-finais dos contos mais conhecidos da criançada. Quem ia imaginar que o João Pé de Feijão havia virado alpinista e escalado desde a Torre Eiffel até o Terraço Itália? Ou que a Rapunzel foi morar com o príncipe em Trancoso e por lá faz os mais belos tererês pra alegria das moradoras da vila? Ou ainda que os 7 anões viraram psicólogos para ajudar a Branca de Neve e a Cinderala entenderem a questão mal resolvida com as respectivas madrastas?
O livro é simples assim e divertido assim.
Até porque, uma história puxa a outra e os pequenos podem entrar na brincadeira para imaginar que final eles dariam para aquelas e outras histórias.
Bem bacana.

E a Mosca foi pro Espaço é mais um maravilhoso trabalho do ilustrador Renato Moriconi. É um livro imagem, portanto sem palavras, mas tão cheio de narrativa, onde cada um vai construindo a sua pessoalmente.
Renato nos mostra a odisséia de uma simples mosca e como sua trajetória até chegar no espaço é repleta de situações inusitadas.
O final é surpreendente, porque de uma certa maneira, nós somos responsáveis pelo destino do pequeno inseto.
De um lado ao outro do mundo, a história fica de pernas pro ar e é aí que nós entramos ao virar o livro de ponta cabeça.
E com isso faremos aquilo que todo mundo já teve vontade de fazer um dia: dar um tapa na mosca.

Melquior, o Mais Melhor, do Vick Muniz com ilustração da Adriana Calcanhoto é um livro bem engraçado.
Melquior é aquele menino que não é nem o melhor e nem o pior em nada. Ou seja, nem sequer é o “mais pior” ou o melhor dentre os piores, tão pouco o melhor dos melhores. Até que um gênio, não o da lâmpada, mas aquele que saiu de dentro da bolinha de pingue-pongue, resolve atender ao pedido do menino e fazer de Melquior, o mais melhor. Daí a história se desenrola, ou melhor, se enrola.
Engraçado é que nem o coitado do gênio que Melquior encontra é “mais melhor” que o outro gênio.
Só consegue realizar 1 pedido, não 3 , como o concorrente famoso, nem tão pouco saiu de uma lâmpada, e sim, de uma bolinha de pingue-pong que solta uma fumaça bem fedorenta.
A graça é ler o livro, não vou conta-lo. Os diálogos entre Melquior e o gênio são bem divertidos.
O melhor de tudo, não é ser melhor em tudo. Eis a conclusão.

Lindo, lindo, lindo! Assim é O Urso e o Gato-Montês, de Kazumi Yomoto, ilustrado por Komako Sakai.
É um livro super sensível que fala sobre amizade, perda e esperança:
A amizade singela entre o urso e um passarinho, a perda desse amigo cantante e depois um encontro inusitado com um Gato-Montês, que traz esperança ao enorme e doce mamífero.
Confesso que me comovi com a história a ponto de ficar com lágrimas nos olhos, porque além de o texto ser de uma pureza tocante, a ilustração de Komoko contribui, e muito, pra transmitir as sutilezas dessa narrativa.
Como disse no começo, lindo , lindo , lindo!