9 de novembro de 2010

Monteiro Lobato

” UM MUNDO MELHOR SE CONSTRÓI COM HOMENS E LIVROS”

O autor dessa frase acima é Monteiro Lobato. Olha só que contra senso. Como pode um dos maiores escritores brasileiros, um gênio que alimentou e alimenta a literatura de nossa infância e de nossos filhos, que tanto prezou e respeitou a língua portuguesa, contribuindo com ela, pra nossa sorte e orgulho, de uma maneira riquíssima e cheia de significados, ter um de seus livros, Caçadas de Pedrinho, proibido nas escolas públicas, por um parecer do Conselho Nacional de Educação, acusado de ser uma obra racista?
O que restará da educação desse país ( que já não é das melhores ), principalmente para as crianças e para com a nossa história, se tocarmos em autores tão valorosos com a nossa cultura, como Monteiro Lobato?
Uma pessoa que tinha o objetivo de nos fazer imaginar, sentir, pensar, refletir, criticar…
Qualquer obra de ficção, assim como a realidade, é cheia de dilemas, mostra que os defeitos existem e também tem suas contradições.
Por acaso somos burros e sem valores incapazes de discernimento quando lemos uma obra? Não temos senso para debate-la?
Monteiro Lobato, ao contrário do Conselho Nacional de Educação, tratava a criança acreditando em sua inteligência e em sua capacidade de reflexão. Ao contrário do que estão tentando fazer, que é infantilizá-las cada vez mais.
Li uma frase outro dia que achei super interessante e dizia respeito ao contexto de educação infantil:
“a simples presença do objeto não garante o conhecimento, mas a ausência do objeto garante o desconhecimento”
Quantos livros mais será que veremos sendo proibidos por aí, garantindo o desconhecimento das crianças?
Quantas pessoas não vivenciaram aquele mundo encantado que Lobato nos ofereceu, fazendo nossa imaginação ir muito além desse lugar pequeno que vivemos?
Cresci acompanhando as peripécias da Narizinho e o Pedrinho, sentindo aquele cheiro que vinha da cozinha da Tia Nastácia com toda a riqueza daquela sabedoria popular.
Por sinal, trabalhou em minha casa uma cozinheira negra ( se é que posso falar assim sem ser acusada ) que era a própria Tia Nastácia e me fazia lembrar de uma época bacana da minha infância.
Quantas pessoas não devem ter olhado pra sua própria avó e a identificado com a amorosa D. Benta? A minha era a própria D. Benta e essa era uma sensação muito gostosa de sentir. Era uma felicidade.
E o significado da irreverência da Emília no imaginário das crianças? Qual seria o tamanho disso tudo se pudessemos medir?
Como um autor capaz de ser tão brilhante e único, que tocou na alma de cada um de nós que teve o privilégio de entrar em contato com suas obras, pode ser tratado como se estivéssemos voltando a época onde se queimavam livros ou pessoas?
Vale a leitura de todos os artigos que estão saindo a respeito. Primeiro, porque a cada artigo lido, nós sentimos mais orgulho ainda de Monteiro Lobato. E também, porque todos eles são uma aula de literatura e consciência da qualidade de nossos escritores.
Não tenho nem palavra pra expressar o quanto me sinto triste!!

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