1 de junho de 2011

Por Uma Vida Melhor, pra quem?


Hoje vou falar sobre um assunto que está causando a maior polêmica.
É sobre o livro Por Uma Vida Melhor.
Vou citar a entrevista à Veja, de um dos mais respeitados especialista da língua portuguesa, Evanildo Bechara, que sai em defesa da gramática.
Segundo Bechara, dizer que a língua culta é um instrumento de dominação das elites é uma ortodoxia política e um obstáculo para o pais. Para ele, subverter a lógica em nome de uma doutrina, só serve para desvalorizar o bom português e tirar de crianças e jovens a chance de ascenderem socialmente.
Ele reconhece que a expressão popular tem validade como forma de comunicação e diz que ninguém de bom senso discorda disso, mas é preciso reconhecer que a língua culta reúne infinitamente mais valores e qualidade.
E somente ela consegue traduzir os pensamentos que circulam o mundo hoje, seja nas artes, filosofia, ciências etc. Essa riqueza da língua culta tem esse poder, enquanto a linguagem popular referida, não tem vocabulário e nem tampouco estrutura gramatical que permitam idéias de maior complexidade, tão caras a uma sociedade que almeja evoluir. Por isso, a defesa do livro “Por Uma Vida Melhor”, decorre de um equívoco.
Bechara fala uma coisa interessente e cita o linguista italiano Raffaele Simone pra exemplificar que privar os cidadão de aprenderem a língua culta, é como negar-lhes as chances de progredirem na vida.
O que Raffaele diz a esse respeito, é que os populistas que fazem apologia da expressão popular, contribuem para perpetuar a segregação de classes pela língua. Pois justamente é o ensino da norma culta, segundo ele, que ajuda na libertação dos menos favorecidos.
Bechara observa que nenhum pais desenvolvido prega a desvalorização da norma culta em sala de aula ou inclui esse tipo de ideia nos livros didático. Ele acha que esse desserviço aos alunos e à sociedade como um todo só encontra eco mesmo no Brasil. Ao questionar a necessidade do estudo da gramática, alguns linguistas estão nivelando por baixo o ensino do português, reduzindo com isso as chances de milhões de estudantes aprenderem a se expressar com correção e clareza, tanto na escrita quanta na fala. E vai além, diz que a história reforça a importância disso e é farta de exemplos de como uma oratória eficaz pode catapultar carreiras.
O domínio da língua falada vem sendo um importante instrumento para o protagonismo na vida pública desde a Antiguidade. Os principais líderes políticos sempre dominaram a língua falada.
O ex presidente Lula é uma exceção. Apesar das suas frequentes incorreções, Lula faz parte do grupo de políticos com grande poder de retórica.
Os erros o aproximam do povo, uma vez que, como ele, a maior parte dos brasileiros também passa ao largo da norma culta. E isso cria uma identificação com seu discurso. Não significa que as pessoas devam ter Lula como modelo, já que ele é uma exceção e para conquistar um bom lugar no mercado de trabalho, o pré-requisito principal é que elas não saiam por aí dizendo “Nós pega o peixe”, versão ensinada no livro Por Uma Vida melhor, distribuído nas escolas pelo Ministério da Educação.
Ele chama a atenção a um outro fato: além de divulgarem um discurso que funciona na prática como um obstáculo à formação dos indivíduos, os teóricos brasileiros que pregam o que ele chama de mesmice idiomática atrapalham o próprio progresso do idioma. E o resultado é que o Brasil está ficando para trá nesse campo. O domínio do idioma é resultado de uma educação de qualidade. E isso nos falta de maneira clamorosa. O ensino do português nas escolas é deficiente. E uma das razões recai sobre o despreparo do professor.

Bom, a entrevista é bem interessante e vale a pena ler. Coloquei aqui, uma parte dela, inclusive com as palavras de Bechara.
Não sou uma especilista da língua portuguesa, mas valorizo a importância do português bem falado e escrito antes de qualquer outra disciplina. Não li o livro em questão e gostaria muito de conhecer seu conteúdo.
Vi somente alguns trechos em matéiras que saíram por aí, mas lendo a entrevista de Evanildo Bechara eu me pergunto: Por uma Vida Melhor, é de fato melhor pra quem?
Vou procurar ter acesso ao conteúdo deste livro para formar minha própria opinião.

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